Limites, castigos,
autoridade
Muitas vezes, os filhos de um modo
geral, mas os adolescentes em particular, se queixam dos castigos, dizendo que são
sempre os mesmos e, lógico, injustos, segundo eles. Eu vi que se eles
participam dos castigos, ficam mais colaborativos e compreendem melhor o que
precisa ser mudado. É claro que a palavra final é dos pais, mas a participação
dos filhos nesse quesito pode evitar que, por exemplo, mintam sobre assuntos
que poderiam ser resolvidos de maneira mais tranquila.
Alguns adolescentes dizem: “Puxa
vida! Eu sempre recebo o mesmo castigo. Minha mãe podia variar.” “E de que
castigo você gostaria?” perguntei. “Ah, eu devia, por exemplo, ser obrigada a
fazer o dever de casa. Saiu no relatório do colégio que eu fiquei devendo sete
deveres de casa. Então que eu faça tudo no final de semana... Mas, não, meu pai
cisma de tirar minha internet!” Adolescente sem internet não está de castigo,
está morto... E nada colaborativo, pode acreditar.
Então, como os pais podem exercer
esse ‘pensar’ com os filhos? Porque, no fundo os pais estão revoltados com a
desobediência desses filhos; não estão com muita vontade de perguntar o que
eles querem nesse momento de chateação dos adultos. Entretanto, a finalidade
primeira do castigo é corrigir um comportamento inadequado. A esperança é que,
após a correção, haja uma mudança duradoura.
Ao perguntar ao filho qual castigo
ele merece, os pais abrem um diálogo inusitado e muito produtivo, porque, ao participar
do castigo, ele pode sentir que sua opinião está sendo respeitada nesse limite
imposto e, provavelmente, vai colaborar melhor das próximas vezes. Isso porque
você o tratou como alguém mais maduro, que é capaz de reconhecer os próprios
erros, e mudá-los.
Dessa forma, os pais estão
ajudando, de verdade, os filhos a crescerem.
Mesmo que eles digam: “Não mereço
castigo.” Dependendo da situação, essa opção não existe. E tem que ser dita se
for o caso. Como acredito e sei por experiência também, pais NÃO SÃO amigos dos
filhos; são pais. Há momentos em que, realmente, é preciso uma firmeza maior,
convicção nas atitudes, na hora de tomar uma decisão e manter essa decisão. Os
pais devem mostrar o amor, mas também mostrar que estão ali percebendo tudo, que
precisam ver o resultado do que está sendo dado, que a vida é uma balança entre
o dar e o receber, e essa balança precisa estar em equilíbrio.
Não é obrigação dos pais apenas se
doar. Os pais também precisam ver resultados, os pais também merecem ser
reconhecidos naquilo que eles estão fazendo pelos filhos. E isso ajuda que o
filho aprenda a ser grato desde cedo.
São lições importantes a serem
vividas. Quando essas barreiras na comunicação são superadas, ambos conseguem
se expressar com mais tranquilidade, conseguem dialogar com confiança e amor.
Então, o equilíbrio começa a acontecer e é muito bom para todos.
Dá uma alegria imensa ver o filho mais maduro e consciente, tomando decisões inteligentes para a sua vida. Por vezes, eles até agradecem as correções impostas no passado. Sim, no passado, porque isso só ocorrerá quando ele estiver mais crescido... Ainda assim, vale o empenho de educá-los e torcer para que cresçam
saudáveis e estejam prontos para viver sua vida da melhor maneira possível.
Não haverá descanso, mas pode ser que a relação tenha melhorado muito com todo empenho de fazer da comunicação um meio de aproximação entre pais e filhos. Sempre vale a pena.
Por ora, quem sabe, juntos possamos definir
limites e até planejar castigos?
Leila de Sousa Aranha
Psicóloga Clínica
Contato (WhatsApp): 61-99672.2267
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